domingo, 6 de julho de 2008

CHEGAR, ACONCHEGAR, SE ENCONTRAR



Hoje, domingo, relendo minhas revistas BONS FLUIDOS, encontrei a matéria do CARLOS SOLANO, arquiteto e escitor, especialista em Feng Shui. Acho que podemos adaptar este texto para a reforma que queremos fazer , em nossas casas.


Diz o feng shui, a arte chinesa do cuidado, que a chegada a uma casa influi na sensação de bem-estar das pessoas que visitam ou que moram nela. Portanto, leve para a entrada principal uma sensação de ambiente claro, pela cor da parede, pelo tapete ou por um quadro, para que a primeira impressão seja de luz, ou de abertura de possibilidades. Esse já é um bom começo.

A CHEGADA

Pode-se criar uma sensação de aconchego e bem receber quem vem da agitação da rua mudando a textura do piso (um tapete especial), a condição de luz e sombra (um efeito de iluminação), a cor (os tons vibrantes são os mais indicados), o som (um barulhinho de água, um canto de pássaro), a direção (um biombo) ou o panorama (um quadro, algumas plantas, um jarro de flores). Um vaso exuberante pode ajudar a delimitar esse sagrado domínio pessoal. Serve até para marcar a entrada, usar uma por ta fora do comum. Em todos esses casos, o que realmente importa é definir a transição entre o exterior e o interior. São essas mudanças físicas – sobretudo a visual – que criam em nossa mente a transição psicológica, que delimita a intimidade da casa.

Do lado de fora da porta, uma estante da altura da cintura permite que se possa deixar os pacotes, enquanto se liberam as mãos para procurar as chaves. Outra sugestão interessante é dispor uma série de objetos de boas-vindas imediatamente após a aber tura da porta: um assento confortável, um aparador ou uma estante-vitrine com belos guardados e pertences, fazendo com que a entrada se torne parte de uma seqüência de espaços agradáveis, integrando-a às outras salas, aconchegando o visitante.

Uma entrada com paredes nuas é sempre mais impessoal e fria. A identidade de uma casa está em suas paredes, e ela só será pessoal e viva se a família puder deixar sobre elas a própria marca: um artesanato feito por alguém do grupo, os objetos da história familiar.

Talvez seja interessante ter na entrada um espaço para colocar os casacos, deixar os sapatos sujos e talvez até os brinquedos mais usados pelas crianças. Pode-se ainda ter um banco para sentar e esperar ou, se houver uma vista (mesmo da rua), para contemplar.

Existe outra razão para explicar a importância da entrada como transição: todas as pessoas desejam e precisam de proteção. A família que está sentada conversando, ou à mesa, não quer ser perturbada por alguém que chega sem aviso.

A DESPEDIDA
É importante lembrar que o espaço da chegada marca também o momento da partida. Quando os convidados se despedem, precisam de um “ponto de adeus” claramente indicado. Sem ele, a despedida pode se prolongar infinitamente. Um espaço de saída definido torna mais suave o adeus.

“Passada a porta do jardim, há um caminho...”, diz um poema. Os edifícios e as casas com uma transição agradável entre o meio exterior e o interior geram mais tranqüilidade e bem-estar do que os que se abrem diretamente para a rua, confirma Christopher Alexander, um arquiteto austríaco, pesquisador do jeito de morar. Em um de seus estudos, ele mostrou fotos de casas a várias pessoas e perguntou qual parecia mais aconchegante. Descobriu que, para a maioria delas, quanto mais longa a transição de entrada (muro, jardim, caminhos, escada, alpendre, vegetação, pátio, varanda etc.), mais agradável era o ambiente final. E concluiu que a entrada é um dos espaços mais importantes, pois ainda unifica dois mundos: o profano (as ruas) e o sagrado (a intimidade do lar).

Penetrar na linguagem do sensível e do humano é o que busca o feng shui, que descreve um modo atemporal e ideal de construir as casas. Você pode adaptá-lo para compor os ambientes nos quais você vive hoje.

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