sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

APRENDENDO TAMBÉM A PERDER



Assistindo estas matérias que mostram as tragédias que aconteceram no Brasil esta semana,pensei no quanto passamos anos de nossas vidas achando que estaremos aqui pra sempre.

Um poema que me veio na cabeça foi aquele da ELIZABETH BISHOP, que nos fala da importância de nos acostumarmos a perder um pouco a cada dia, para estarmos preparados pra perdas maiores.


A Arte de perder (Elizabeth Bishop)


A arte de perder não é difícil de dominar;
Tantas coisas parecem repletas da intenção de serem perdidas
Que a sua perda não é um desastre.
Perca algo todo dia. Aceite a perturbação de ter perdido as chaves de casa, a hora mal gasta.

A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratique perder profundamente, perder mais rápido:
Lugares, e nomes, e para onde você gostaria de ter viajado. Nada disso trará desastre.
Eu perdi o relógio da minha mãe. E veja! Minha última, ou próxima-a-ser-última, de três queridas casas se foi.

A arte de perder não é difícil de dominar.
Eu perdi duas cidades, pessoas queridas. E, ainda mais vasto, alguns reinos eu possuí, dois rios, um continente. Eu sinto falta deles , mas não foi um desastre.
Até mesmo perder você (a voz brincalhona, o gesto que eu amo) eu não poderia mentir. É evidente que a arte de perder não é difícil de dominar embora possa parecer (escreva!) como um desastre.

2 comentários:

Gina disse...

É verdade, Monica. Nesses momentos, a gente reflete um pouco mais sofre a brevidade da vida. Daqui a pouco publico minha contribuição para divulgar os locais de doação lá no Naco.
Estou querendo viajar pro Es, mas o período é muito chuvoso. Ano passado, início de março, estive aí e quase não teve teto para o avião descer. Depois, enfrentei correnteza de carro para chegar à casa da minha mãe.
Tudo muito triste mesmo!
Bjs.

Marluce Santos disse...

É curioso como muitas vezes nos vemos numa situação de apêgo. Mas quando acontecem desastres como o que ocorreu no Rio, vemos que não somos mais do que realmente somos: Seres vivos frágeis e dependentes da misericórdia de Deus.
Bela poesia. Belas palavras.